O que é
Fibrose é a formação de tecido cicatricial decorrente do processo natural de reparação dos tecidos. Embora seja mais conhecida no contexto pós-operatório, alterações cicatriciais também podem se desenvolver após traumas, fraturas e determinados processos inflamatórios, dependendo dos tecidos envolvidos e da extensão da lesão.
Na coluna e nas regiões próximas às estruturas nervosas, diferentes processos de reparação podem modificar o comportamento e a mobilidade dos tecidos.
Entretanto, fora do contexto cirúrgico, é especialmente importante ter cautela antes de atribuir sintomas a uma suposta “aderência da raiz nervosa”.
Dor irradiada, formigamento, alterações de sensibilidade ou mecanossensibilidade neural não comprovam, isoladamente, a existência de uma aderência.
Da mesma forma, alterações observadas em exames precisam ser interpretadas em conjunto com a história clínica, o exame físico e a evolução dos sintomas.
Períodos prolongados de imobilidade, proteção excessiva ou redução importante das atividades também podem contribuir para perda de mobilidade, força, condicionamento e tolerância ao movimento.
Esses fatores podem participar da persistência dos sintomas, mas não devem ser interpretados automaticamente como causa da formação de fibrose ao redor de uma raiz nervosa.
Fibrose, aderência e mecanossensibilidade neural são a mesma coisa?
Não. Embora esses termos possam aparecer relacionados, descrevem fenômenos diferentes.
- Fibrose: formação de tecido cicatricial decorrente de um processo de reparação.
- Aderência: relação entre tecidos que pode ocorrer durante determinados processos cicatriciais.
- Mecanossensibilidade neural: resposta aumentada do sistema nervoso a determinados movimentos, posições ou cargas.
Uma pessoa pode apresentar mecanossensibilidade neural sem que seja possível demonstrar uma aderência estrutural.
Da mesma forma, uma alteração cicatricial identificada em um exame pode não produzir sintomas.
Essa diferenciação é importante porque o tratamento não deve ser direcionado simplesmente à presença de uma alteração na imagem ou ao conceito de “soltar uma aderência”, mas aos achados clínicos e às limitações de cada paciente.
Sintomas que podem estar associados
Quando existe irritabilidade ou comprometimento de uma estrutura nervosa, podem ocorrer:
- Dor irradiada para um braço ou uma perna, dependendo da região envolvida;
- Formigamento, dormência, queimação ou sensação de choque;
- Alterações de sensibilidade;
- Alteração de força quando existe comprometimento neurológico;
- Aumento dos sintomas em determinadas posições ou movimentos;
- Maior sensibilidade durante testes que envolvem o sistema nervoso;
- Sensação de tensão ou desconforto durante determinados movimentos;
- Limitação de atividades anteriormente toleradas.
Esses sintomas não são exclusivos da fibrose ou das aderências.
Hérnias de disco, estenoses, alterações de estruturas nervosas e diferentes condições musculoesqueléticas ou neurológicas podem produzir manifestações semelhantes.
Por isso, relacionar diretamente os sintomas à existência de tecido cicatricial exige cautela e correlação clínica.
Como saber se uma fibrose ou aderência está relacionada à dor?
Essa nem sempre é uma relação simples de estabelecer.
A presença de uma alteração cicatricial não demonstra, por si só, que ela seja responsável pelos sintomas.
A avaliação considera fatores como:
- História de trauma, fratura ou processo inflamatório;
- Como e quando os sintomas começaram;
- Evolução dos sintomas ao longo do tempo;
- Existência ou não de períodos de melhora;
- Localização e comportamento da dor;
- Presença de alterações neurológicas;
- Resposta aos movimentos, posições e atividades;
- Achados do exame físico;
- Comportamento do sistema nervoso durante testes específicos;
- Exames de imagem quando disponíveis e clinicamente relevantes.
Em determinados casos, pode ser necessária avaliação médica e investigação complementar para diferenciar alterações cicatriciais de outras possíveis causas dos sintomas.
E a falta de movimento após um trauma ou fratura?
Após determinados traumas e fraturas, períodos de proteção ou imobilização podem ser necessários para permitir a recuperação adequada dos tecidos.
O problema não é a proteção quando ela está clinicamente indicada.
Entretanto, depois que as restrições deixam de ser necessárias, algumas pessoas podem permanecer com redução importante dos movimentos e atividades, seja por dor, receio de se movimentar, perda de força ou condicionamento.
Isso pode contribuir para rigidez, perda de capacidade física, redução da tolerância às cargas e persistência de limitações funcionais.
A reabilitação busca recuperar progressivamente essas capacidades, respeitando o estágio de recuperação dos tecidos e as particularidades de cada caso.
Isso é diferente de afirmar que a ausência de fisioterapia, por si só, tenha provocado uma fibrose ao redor de uma raiz nervosa.
Quando procurar avaliação médica com urgência
Alguns sinais exigem investigação médica sem demora:
- Perda de força nova ou progressiva;
- Alteração ou perda do controle da bexiga ou do intestino;
- Perda ou alteração importante da sensibilidade na região genital ou “em sela”;
- Alterações neurológicas novas ou rapidamente progressivas;
- Febre, calafrios ou mal-estar importante;
- Dor intensa ou sintomas neurológicos após um trauma recente;
- Mudança súbita e importante do padrão dos sintomas.
Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente à fibrose ou às aderências e precisam de investigação para excluir outras condições que possam exigir tratamento específico.
Como a Dorsale atua nesses casos
Na Dorsale, a avaliação de pacientes com sintomas persistentes após traumas, fraturas ou processos inflamatórios é individualizada e realizada com um paciente por horário.
São considerados a história clínica, o mecanismo e o histórico do trauma quando relevante, fraturas ou processos inflamatórios anteriores, períodos de imobilização, evolução dos sintomas, comportamento da dor, possíveis alterações neurológicas, movimentos, força, função e exames disponíveis.
Quando existem sinais de mecanossensibilidade neural, testes neurodinâmicos podem fazer parte da avaliação, sempre interpretados em conjunto com os demais achados.
Quando o tratamento fisioterapêutico é indicado, o plano é direcionado aos sintomas, às limitações funcionais e aos achados da avaliação, e não à tentativa de “quebrar” ou “soltar” uma suposta aderência.
O tratamento pode envolver terapia manual, exercícios específicos, estratégias de mobilidade neural quando indicadas, recuperação da mobilidade, fortalecimento, controle motor, educação sobre dor e movimento e progressão gradual das atividades e cargas.
Quando estratégias de mobilidade neural são utilizadas, o objetivo é melhorar progressivamente a tolerância do sistema nervoso ao movimento e às atividades.
Nos pacientes que passaram por períodos prolongados de imobilidade ou redução importante das atividades, a reabilitação também trabalha a recuperação progressiva de mobilidade, força, condicionamento e capacidade funcional.
Conforme a evolução, o tratamento progride para aumentar a tolerância aos movimentos e às cargas e recuperar segurança e autonomia para as atividades do dia a dia.
Nos casos em que existem alterações neurológicas importantes, os sintomas não apresentam comportamento compatível com uma abordagem conservadora ou há necessidade de esclarecer outras possíveis causas, o paciente é orientado para investigação médica complementar.

Se você apresenta dor irradiada, alterações de sensibilidade ou limitações persistentes após um trauma, fratura ou processo inflamatório, uma avaliação individualizada pode ajudar a investigar os fatores relacionados aos sintomas e definir a estratégia de tratamento mais adequada para o seu caso.
Dr. João Márcio De Grande, CREFITO3: 128832-F
Meta descrição: Fibrose e aderências após traumas e processos inflamatórios: entenda sua relação com os sintomas e como funciona a avaliação e o tratamento na Dorsale, em São Paulo.