O que é
A fibrose epidural é a formação de tecido cicatricial no espaço epidural após uma cirurgia de coluna, como parte do processo natural de cicatrização do organismo. É frequentemente observada após procedimentos que envolvem acesso ao canal vertebral, como algumas discectomias e laminectomias.
Esse tecido cicatricial pode se formar próximo às raízes nervosas e, em alguns casos, envolver estruturas neurais da região operada. Termos como fibrose perineural ou aderência perineural podem ser utilizados quando existem alterações cicatriciais relacionadas aos tecidos ao redor de uma raiz nervosa.
No entanto, identificar uma fibrose próxima à raiz não significa, por si só, que exista restrição relevante de sua mobilidade ou que essa alteração seja responsável pelos sintomas.
Alterações cicatriciais são frequentes após cirurgias, e muitas pessoas apresentam esses achados sem sintomas relevantes. Quando uma pessoa apresenta dor persistente ou recorrente após uma cirurgia, a possível relação entre fibrose e sintomas precisa ser analisada em conjunto com a história clínica, o exame físico, a evolução pós-operatória e os exames disponíveis.
Por isso, não é adequado atribuir automaticamente uma dor persistente à presença de “aderências” apenas porque elas foram descritas em uma ressonância magnética.
Fibrose significa que a cirurgia não deu certo?
Não.
A formação de tecido cicatricial faz parte do processo de cicatrização após uma cirurgia. Sua presença, isoladamente, não significa que o procedimento tenha falhado.
Quando os sintomas persistem, retornam ou se modificam após uma cirurgia, diferentes possibilidades precisam ser consideradas.
Entre elas podem estar alterações relacionadas ao próprio nível operado, recorrência ou surgimento de alterações discais, comprometimento de estruturas nervosas, mudanças funcionais após períodos prolongados de dor e redução das atividades, sensibilização do sistema nervoso ou outros fatores. A própria fibrose pode ser considerada dentro desse contexto quando existe compatibilidade clínica.
Mais de um mecanismo também pode estar presente ao mesmo tempo.
Por isso, o objetivo da avaliação não é simplesmente encontrar uma alteração na imagem para justificar a dor, mas compreender se os achados são compatíveis com os sintomas e a função do paciente.
Fibrose, aderência e mecanossensibilidade neural são a mesma coisa?
Não. Embora esses termos possam aparecer relacionados, eles descrevem fenômenos diferentes.
- Fibrose: formação de tecido cicatricial decorrente do processo de reparação.
- Aderência: relação entre tecidos que pode ocorrer durante determinados processos cicatriciais.
- Mecanossensibilidade neural: resposta aumentada do sistema nervoso a determinados movimentos, posições ou cargas.
Uma pessoa pode apresentar mecanossensibilidade neural sem que seja possível demonstrar uma aderência estrutural. Da mesma forma, uma alteração cicatricial identificada em um exame pode não produzir sintomas.
Essa diferenciação é importante porque o tratamento não deve ser direcionado simplesmente à presença de uma imagem ou ao conceito de “soltar uma aderência”, mas aos achados clínicos e às limitações de cada paciente.
Sintomas que podem estar associados
Quando existe irritabilidade ou comprometimento de uma raiz nervosa no período pós-operatório, podem ocorrer:
- Dor irradiada para um braço ou uma perna, dependendo da região operada;
- Formigamento, dormência, queimação ou sensação de choque;
- Alterações de sensibilidade;
- Alteração de força quando existe comprometimento neurológico;
- Aumento dos sintomas em determinadas posições ou movimentos;
- Maior sensibilidade durante testes que envolvem o sistema nervoso;
- Limitação de atividades anteriormente toleradas;
- Persistência ou retorno dos sintomas após um período de melhora.
Esses sintomas não são exclusivos da fibrose epidural. Outras condições podem produzir manifestações semelhantes.
Por isso, relacionar diretamente os sintomas à cicatriz observada no exame exige cautela e correlação clínica.
Como saber se a fibrose está relacionada à dor?
Essa nem sempre é uma relação simples de estabelecer.
A ressonância magnética pode identificar alterações cicatriciais pós-operatórias, mas sua presença não demonstra, por si só, que sejam a causa dos sintomas.
A avaliação considera fatores como:
- O tipo de cirurgia realizada;
- Como os sintomas se comportavam antes do procedimento;
- A evolução após a cirurgia;
- Se houve período de melhora antes do retorno dos sintomas;
- A localização e o comportamento da dor atual;
- A presença de alterações neurológicas;
- A resposta aos movimentos e atividades;
- Os achados do exame físico;
- O comportamento do sistema nervoso durante testes específicos;
- Os exames de imagem disponíveis.
Em determinados casos, pode ser necessária investigação médica complementar para diferenciar alterações cicatriciais de outras possíveis causas dos sintomas.
Quando procurar avaliação médica com urgência
No contexto de uma cirurgia de coluna prévia, alguns sinais exigem investigação médica sem demora:
- Perda de força nova ou progressiva;
- Alteração ou perda do controle da bexiga ou do intestino;
- Perda ou alteração importante da sensibilidade na região genital ou “em sela”;
- Alterações neurológicas novas ou rapidamente progressivas;
- Febre, calafrios ou mal-estar associados a alterações na região operada;
- Vermelhidão, calor, abertura ou secreção na cicatriz cirúrgica;
- Mudança súbita e importante do padrão dos sintomas.
Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente à fibrose e precisam de investigação para excluir outras condições que possam exigir tratamento específico.
Como a Dorsale atua nesses casos
Na Dorsale, a avaliação de pacientes com dor persistente ou recorrente após cirurgia de coluna é individualizada e realizada com um paciente por horário.
São considerados a história cirúrgica, a evolução dos sintomas antes e depois do procedimento, o comportamento atual da dor, possíveis alterações neurológicas, movimentos, função e os exames disponíveis.
Quando existem sinais de mecanossensibilidade neural, testes neurodinâmicos podem fazer parte da avaliação, sempre interpretados em conjunto com os demais achados.
Quando o tratamento fisioterapêutico é indicado, o plano é direcionado aos sintomas, às limitações funcionais e aos achados da avaliação — e não à tentativa de modificar o tecido cicatricial identificado na imagem.
O tratamento pode envolver terapia manual, exercícios específicos, estratégias de mobilidade neural quando indicadas, fortalecimento, controle motor, educação sobre dor e movimento e progressão gradual das atividades e cargas.
É importante compreender que a fisioterapia não tem como objetivo “quebrar”, “soltar” ou remover a fibrose ao redor de uma raiz nervosa.
Quando estratégias de mobilidade neural são utilizadas, o objetivo é melhorar progressivamente a tolerância do sistema nervoso ao movimento e às atividades, respeitando a resposta individual e a irritabilidade dos sintomas.
Conforme a evolução, o tratamento progride para recuperar movimentos, força, capacidade funcional e confiança para realizar as atividades do dia a dia.
Nos casos em que os sintomas não apresentam comportamento compatível com uma abordagem conservadora, existem alterações neurológicas importantes ou há necessidade de esclarecer outras possíveis causas, o paciente é orientado para investigação médica complementar.

Se você realizou uma cirurgia de coluna e apresenta dor irradiada que persistiu ou retornou após o procedimento, uma avaliação individualizada pode ajudar a investigar os fatores relacionados aos sintomas e definir a estratégia mais adequada para o seu caso.
Dr. João Márcio De Grande, CREFITO3: 128832-F
Meta descrição: Fibrose epidural após cirurgia de coluna: entenda o que significa esse achado, sua relação com a dor e como funciona a avaliação e o tratamento na Dorsale, em São Paulo.