O que é
A dor sacroilíaca é a dor relacionada à articulação sacroilíaca — estrutura que conecta o sacro, na base da coluna, aos ossos ilíacos da pelve. Existe uma articulação de cada lado do corpo, localizada próxima à região lombar baixa e glútea.
A articulação sacroilíaca apresenta pequena amplitude de movimento e participa da transferência de cargas entre o tronco, a pelve e os membros inferiores durante atividades como caminhar, levantar-se e realizar movimentos que envolvem o corpo inteiro.
A região sacroilíaca pode estar relacionada à dor em diferentes contextos, incluindo traumas, gestação e período pós-parto, determinadas sobrecargas e condições inflamatórias. Em muitos pacientes, entretanto, não existe uma alteração estrutural específica capaz de explicar isoladamente os sintomas.
Um dos principais desafios é que a dor nessa região pode ser confundida com outros quadros de dor lombar, glútea ou do quadril. A localização indicada pelo paciente, isoladamente, não é suficiente para determinar qual estrutura está causando a dor.
Por isso, identificar a possível participação da articulação sacroilíaca exige análise da história clínica, comportamento dos sintomas, exame físico e exclusão de outras causas relevantes.
Sacroileíte é a mesma coisa que dor sacroilíaca?
Não.
Dor na região sacroilíaca não significa necessariamente que exista uma inflamação da articulação.
Sacroileíte é o termo utilizado quando existe inflamação da articulação sacroilíaca. Ela pode ocorrer em diferentes contextos e merece atenção especial quando está associada a doenças inflamatórias, incluindo as espondiloartrites.
Já a dor relacionada à articulação sacroilíaca de origem musculoesquelética pode ocorrer sem evidências de uma doença inflamatória sistêmica.
Algumas características podem aumentar a suspeita de dor lombar inflamatória, como:
- Início dos sintomas em idade mais jovem;
- Evolução gradual;
- Rigidez matinal prolongada;
- Melhora com atividade física;
- Pouca melhora com repouso;
- Dor que pode despertar a pessoa principalmente na segunda metade da noite, com melhora ao levantar-se e movimentar-se;
- Alternância da dor entre os glúteos;
- Histórico pessoal ou familiar de determinadas doenças inflamatórias.
Nesse contexto, a dor durante a segunda metade da noite faz parte de um conjunto de características que pode sugerir um padrão inflamatório. Ela não deve ser interpretada isoladamente como sinônimo de qualquer “dor que piora à noite”, característica que pode aparecer em outros contextos clínicos e precisa ser avaliada de acordo com os demais sinais e sintomas.
Nenhuma dessas características, isoladamente, estabelece o diagnóstico. Quando existe suspeita de uma condição inflamatória, avaliação médica específica é importante para investigação adequada.
Sintomas mais frequentes
Quando a articulação sacroilíaca participa do quadro doloroso, alguns padrões podem estar presentes:
- Dor na região glútea, geralmente mais evidente de um lado;
- Dor próxima à região das articulações sacroilíacas;
- Dor que pode se estender para outras áreas da região glútea ou da coxa;
- Piora durante determinadas transferências, como levantar-se de uma cadeira;
- Desconforto ao permanecer por períodos prolongados em determinadas posições;
- Dor ao subir escadas ou realizar atividades com maior demanda unilateral;
- Dor ao virar-se na cama;
- Desconforto durante determinadas atividades físicas;
- Dor pélvica relacionada à gestação ou ao período pós-parto em alguns casos.
Essas características não são exclusivas da articulação sacroilíaca e podem ocorrer em outros quadros musculoesqueléticos.
Sintomas como formigamento, dormência, alterações importantes de sensibilidade ou perda de força exigem investigação de possível envolvimento neurológico ou de outras causas.
Como saber se a dor vem da articulação sacroilíaca?
Essa é uma das principais dificuldades na avaliação.
Não existe um único movimento ou teste clínico capaz de determinar, isoladamente, que a articulação sacroilíaca seja a origem da dor.
Durante o exame físico, podem ser utilizados testes de provocação da articulação sacroilíaca. Em vez de interpretar um único teste positivo, a avaliação considera a combinação de diferentes testes e se eles conseguem reproduzir de maneira consistente a dor habitual do paciente.
Esses achados são analisados junto com:
- Localização e comportamento dos sintomas;
- Movimentos e atividades que modificam a dor;
- Exame da coluna lombar;
- Avaliação do quadril;
- Força e capacidade funcional;
- Presença ou ausência de sinais neurológicos;
- Histórico de trauma, gestação ou outras condições relevantes.
Em determinados casos, pode ser necessária investigação médica complementar para diferenciar a participação da articulação sacroilíaca de outras possíveis causas de dor.
Quando procurar avaliação médica
Algumas características merecem investigação médica, especialmente quando associadas a outros sinais clínicos:
- Padrão de dor sugestivo de uma condição inflamatória;
- Febre ou mal-estar importante;
- Perda de peso não intencional associada a outros sintomas;
- Dor após trauma significativo;
- Perda de força nova ou progressiva;
- Alterações importantes de sensibilidade;
- Alteração ou perda do controle da bexiga ou do intestino;
- Dor persistente ou progressivamente pior, especialmente quando apresenta características atípicas.
Essas situações não devem ser atribuídas automaticamente à articulação sacroilíaca e podem exigir investigação de outras condições.
Como a Dorsale atua no tratamento da dor sacroilíaca
Na Dorsale, o tratamento começa com uma avaliação individualizada, realizada com um paciente por horário.
O primeiro objetivo é investigar se existem características compatíveis com participação da articulação sacroilíaca nos sintomas e, ao mesmo tempo, avaliar outras possíveis fontes de dor na região lombar, glútea e do quadril.
A avaliação considera a história clínica, o comportamento dos sintomas, movimentos, função, testes de provocação quando indicados, força e capacidade da região lombopélvica e dos membros inferiores para lidar com as demandas do paciente.
Quando o tratamento fisioterapêutico é indicado, é construído um plano individualizado que pode envolver terapia manual, exercícios específicos, fortalecimento progressivo de tronco e membros inferiores, controle motor, educação sobre dor e movimento e adequação gradual das atividades e cargas.
O objetivo inicial é reduzir os sintomas e recuperar movimentos e atividades que estejam limitados.
Conforme a evolução, o tratamento progride para aumentar a capacidade da região lombopélvica e dos membros inferiores de lidar com as demandas do dia a dia, recuperar força e função e proporcionar maior segurança e autonomia ao paciente.
Em pacientes gestantes ou no período pós-parto, o planejamento considera as particularidades dessa fase e as demandas individuais.
Nos casos em que existem características sugestivas de doença inflamatória, comprometimento neurológico ou outras condições que exigem investigação médica, o paciente é orientado para a avaliação adequada.

Se você apresenta dor na região lombar baixa ou glútea e suspeita que ela possa estar relacionada à articulação sacroilíaca, uma avaliação individualizada pode ajudar a diferenciar as possíveis fontes dos sintomas e definir a estratégia de tratamento mais adequada para o seu caso.
Dr. João Márcio De Grande CREFITO3: 128832-F
Meta descrição: Dor sacroilíaca: entenda os sintomas, a diferença para sacroileíte e como funciona a avaliação e o tratamento individualizado na Dorsale, em São Paulo.