Hérnia de disco: quando a cirurgia não é o primeiro caminho

Receber o diagnóstico de uma hérnia de disco costuma gerar preocupação. Para muitas pessoas, a primeira associação é imediata: “Vou precisar operar?”

Na maioria das vezes, não.

A presença de uma hérnia de disco em uma ressonância magnética, por si só, não determina a necessidade de cirurgia. A decisão depende de um conjunto de fatores: sintomas, exame clínico, função neurológica, intensidade e evolução da dor, limitações nas atividades diárias e resposta ao tratamento conservador.

Por isso, antes de discutir cirurgia, é importante entender o que a hérnia está causando — e não apenas o que aparece na imagem.

O que acontece em uma hérnia de disco?

Entre as vértebras da coluna existem os discos intervertebrais, estruturas que participam da distribuição de cargas e permitem o movimento da coluna.

Quando parte do material do disco se desloca além de seus limites habituais, podem ocorrer alterações classificadas, de acordo com suas características, como protrusão ou extrusão discal, entre outras.

Em algumas situações, esse material pode entrar em contato com uma raiz nervosa e provocar sintomas como:

  • dor lombar ou cervical;
  • dor irradiada para a perna ou para o braço;
  • formigamento;
  • dormência;
  • alteração da sensibilidade;
  • redução de força em determinados grupos musculares.

Mas existe um ponto fundamental: nem toda hérnia de disco causa sintomas.

Alterações discais também podem ser encontradas em exames de pessoas sem dor. Por isso, a ressonância magnética precisa ser interpretada em conjunto com a história do paciente e o exame clínico.

Ter uma hérnia de disco não significa precisar de cirurgia

Esse é um dos conceitos mais importantes para quem recebe o diagnóstico.

A imagem pode parecer preocupante. Termos como “extrusão”, “compressão”, “estenose” ou “contato com a raiz nervosa” frequentemente causam ansiedade quando aparecem no laudo.

Entretanto, o tamanho ou a aparência da hérnia não devem ser analisados isoladamente.

Existem pacientes com alterações importantes na ressonância e poucos sintomas. Da mesma forma, algumas pessoas apresentam dor intensa mesmo com alterações aparentemente menores.

Na prática clínica, precisamos responder a outras perguntas:

Existe perda de força?

A sensibilidade está alterada?

Há sinais de comprometimento neurológico progressivo?

A pessoa consegue caminhar e realizar suas atividades?

Os sintomas estão melhorando, estáveis ou piorando?

Existe resposta ao tratamento conservador?

Essas informações ajudam a definir o caminho mais adequado.

Quando o tratamento conservador pode ser considerado?

Na ausência de sinais que indiquem necessidade de avaliação cirúrgica urgente, muitos quadros de hérnia de disco podem inicialmente ser conduzidos de maneira conservadora.

Isso significa utilizar estratégias não cirúrgicas para controlar os sintomas, recuperar movimento, preservar ou melhorar a função e permitir que a pessoa retome gradualmente suas atividades.

A fisioterapia pode fazer parte desse processo.

Mas tratamento conservador não significa simplesmente “esperar a dor passar”.

Uma abordagem bem conduzida deve começar com uma avaliação clínica e funcional detalhada.

É necessário identificar quais movimentos modificam os sintomas, quais atividades estão limitadas, se existe comprometimento neurológico e como aquele quadro se comporta ao longo do dia.

A importância do movimento na recuperação

Quando a dor é intensa, é natural que a pessoa tenha medo de se movimentar.

Em alguns casos, esse comportamento é necessário temporariamente para evitar movimentos que agravam os sintomas. Entretanto, permanecer excessivamente parado por longos períodos também pode contribuir para perda de força, redução da mobilidade e maior insegurança em relação ao movimento.

O objetivo da reabilitação não é obrigar o paciente a realizar movimentos dolorosos.

É encontrar movimentos e estratégias compatíveis com aquele momento da recuperação.

Conforme os sintomas permitem, a progressão pode envolver mobilidade, exercícios direcionados, estabilização, fortalecimento e retorno gradual às atividades habituais.

A hérnia pode diminuir sem cirurgia?

Sim.

Um fenômeno importante observado em estudos de acompanhamento por imagem é que algumas hérnias discais podem apresentar redução espontânea de volume ao longo do tempo, especialmente determinados tipos de extrusão e sequestro discal.

Esse processo é conhecido como reabsorção espontânea da hérnia de disco.

O organismo pode reconhecer parte do material discal deslocado e iniciar mecanismos inflamatórios e imunológicos capazes de contribuir para sua redução.

Isso não significa que toda hérnia desaparecerá, nem que seja necessário esperar que ela desapareça para que o paciente melhore.

Na prática, existe outro ponto ainda mais importante:

a melhora clínica não depende obrigatoriamente do desaparecimento da hérnia na ressonância.

Uma pessoa pode recuperar movimento, reduzir significativamente a dor e retornar às suas atividades mesmo que alguma alteração estrutural continue visível no exame.

Então por que a dor melhora?

Porque a dor relacionada à hérnia de disco não depende exclusivamente de uma compressão mecânica.

Podem participar do quadro diferentes mecanismos, incluindo inflamação da raiz nervosa, sensibilização dos tecidos, alterações do movimento, proteção muscular, redução da tolerância às atividades e fatores relacionados ao próprio sistema de processamento da dor.

Durante a recuperação, esses fatores podem se modificar.

Por isso, tratar uma pessoa com hérnia de disco é diferente de simplesmente tentar “colocar o disco no lugar”.

O tratamento é direcionado ao paciente, aos sintomas e à função — não apenas à imagem.

Quando a cirurgia passa a ser considerada?

Embora muitos pacientes possam iniciar pelo tratamento conservador, existem situações em que a avaliação médica e eventualmente cirúrgica ganha maior importância.

Entre elas estão:

  • perda de força significativa ou progressiva;
  • piora neurológica;
  • alterações importantes de sensibilidade associadas a outros déficits;
  • sintomas compatíveis com síndrome da cauda equina;
  • alterações urinárias ou intestinais relacionadas ao comprometimento neurológico;
  • anestesia na região perineal;
  • dor incapacitante persistente sem resposta satisfatória ao tratamento adequadamente conduzido;
  • comprometimento funcional importante e persistente.

A síndrome da cauda equina, em particular, é uma condição potencialmente grave e exige avaliação médica de urgência.

Portanto, defender o tratamento conservador não significa insistir indefinidamente nele.

Significa saber quando ele é apropriado e quando é necessário mudar de estratégia.

Cirurgia e fisioterapia não são adversárias

Existe uma ideia equivocada de que escolher fisioterapia significa ser contra cirurgia.

Não deveria ser assim.

A cirurgia tem indicações específicas e pode ser extremamente importante quando corretamente indicada. Em determinados pacientes, ela pode representar o caminho mais adequado.

Da mesma forma, operar alguém que apresenta condições favoráveis para uma tentativa de tratamento conservador pode significar antecipar uma intervenção que talvez não fosse necessária naquele momento.

A decisão deve ser individualizada.

O objetivo não é provar que um tratamento é superior ao outro em qualquer situação.

O objetivo é escolher o tratamento adequado para o paciente certo, no momento certo.

O que uma avaliação especializada deve investigar?

Na Dorsale, a avaliação de pacientes com hérnia de disco não se limita à leitura da ressonância magnética.

O exame é importante, mas representa apenas uma parte da investigação.

A avaliação considera aspectos como:

  • localização e comportamento da dor;
  • presença de irradiação;
  • força muscular;
  • sensibilidade;
  • sinais de tensão neural;
  • movimentos que aumentam ou reduzem os sintomas;
  • mobilidade da coluna;
  • limitações funcionais;
  • atividades que o paciente deixou de realizar;
  • evolução dos sintomas;
  • resposta a tratamentos anteriores.

A partir dessas informações é possível compreender melhor se existe espaço para uma abordagem conservadora e estabelecer uma estratégia individualizada de recuperação.

O objetivo não é apenas diminuir a dor

Controlar a dor é importante, principalmente nas fases mais sintomáticas.

Mas a recuperação não deveria terminar aí.

O paciente precisa recuperar gradualmente sua capacidade de sentar, caminhar, trabalhar, dirigir, dormir, treinar e realizar suas atividades com segurança e autonomia.

Por isso, conforme o quadro evolui, o tratamento deve acompanhar essa mudança.

A prioridade deixa progressivamente de ser apenas o controle dos sintomas e passa a incluir movimento, capacidade funcional, fortalecimento e retorno às atividades.

Recebeu um diagnóstico de hérnia de disco?

Antes de concluir que a cirurgia é inevitável, é importante entender o seu quadro de forma completa.

Uma ressonância mostra estruturas.

A avaliação clínica mostra como essas estruturas estão se relacionando com os seus sintomas e com a sua capacidade de movimento.

Em muitos casos, quando não existem sinais de alerta ou comprometimento neurológico que indiquem outra conduta, existe espaço para uma abordagem conservadora estruturada.

E, quando a evolução demonstra que esse caminho não é suficiente, a reavaliação médica faz parte de uma assistência responsável.

Avaliação Especializada da Coluna — Dorsale

Na Dorsale, cada paciente passa por uma avaliação clínica e funcional individualizada antes da definição do tratamento.

O objetivo é compreender a origem e o comportamento dos sintomas, identificar limitações e estabelecer a estratégia mais adequada para cada fase da recuperação.

Tratamento conservador quando ele é indicado. Encaminhamento e integração com a avaliação médica quando necessário.

Dorsale — Fisioterapia Especializada em Coluna Vertebral e Hérnias de Disco
Bela Vista — São Paulo

Agende sua Avaliação Especializada da Coluna.

João Márcio De Grande, CREFITO3: 128832-F

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação individual realizada por profissional de saúde.

Meta descrição: Entenda quando a hérnia de disco pode ser tratada sem cirurgia, como funciona o tratamento conservador e quais sinais podem indicar avaliação cirúrgica.